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Sinto falta de alguém que nem sei mais se existe

Eu amo o Ryan Reynolds e vou protegê-lo sempre.
A coisa mais difícil desta vida não é acordar cedo às segundas-feiras, terminar o mês sem estourar a conta bancária ou recusar um lindo e calórico pedaço de Torta Holandesa. A coisa mais difícil é sentir falta de uma pessoa que você nem sabe mais se existe.

Quando perdemos alguém, seja para a morte, seja para qualquer outra circunstância, nós lidamos com a perda - e sabemos que muitas delas são irreversíveis. Mas, em alguns momentos desta longa e louca jornada, nós perdemos pessoas sem saber exatamente se estamos perdendo elas - ou para quem ou por quê. A vida fez o seu trabalho. As circunstâncias. Mas não foi um choque, não sentimos o baque. E é aí que mora o perigo: a gente precisa lidar com uma perda cheia de esperança. Uma perda sem ponto final.

E não adianta vir a vida e te dizer que o tempo é o sinal concreto de um fim ou que a ausência (quase) definitiva da pessoa é um mensageiro prestes a anunciar o inevitável: a sua história com aquela pessoa acabou. Por mais que os fatos estejam contra você, é difícil aceitar, acreditar.

A esperança continua ali: em cada final de comédia romântica, em cada fotografia, lembrança, sinal de vida online. Mas você não sabe se aquela pessoa ainda existe, porque você está sentindo falta de alguém com quem conviveu há anos. Você não sabe mais se aquela mesma pessoa continua viva, aquela de quem você sente saudade toda semana e se lembra dela nos momentos mais inacreditáveis. Quando, por exemplo, você está prestes a fazer a viagem da sua vida e só consegue pensar em trazer um presenta para ela, mas se lembra de que nem sabe mais onde ela mora.

Qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência.
Daí você vê uma foto nas redes sociais de a pessoa rodeada de gente que você nem conhece, de amigos que, na época em que vocês eram amigos, nem eram assim tão próximos dela. Você se pergunta se a vida da pessoa continua a mesma, o que ela está fazendo, se está feliz, se ainda tem o mesmo sabor bizarro de suco como favorito, se ainda tem a mesma mania de mascar chiclete o tempo todo (existe um motivo para isso), se ainda lembra daquela peça de teatro que foram assistir juntos ou daquele último filme, ou ainda daquela garota fantasma parada no corredor.

Provavelmente, a resposta para tudo isso é não. Ele não se lembra. Pode até ser que ele leia tudo isso e continue não se lembrando ou que tenha uma crise de riso e depois ainda comente com os amigos o quão patético isso soa.

Quer saber? Eu não ligo. Não vai fazer a mínima diferença e pode ser que tenha por aí muito mais gente sentindo falta de alguém que eventualmente não existe mais. As pessoas mudam, mas é uma droga quando você queria fazer parte dessa mudança, mas está bem longe.

Alguns filmes (os meus favoritos, por sinal) costumam nos ensinar que tudo dá certo, que a vida prega essas peças na gente para que o reencontro seja mágico. A verdade é que se eu pudesse te dar um conselho, diria para você fazer alguma coisa enquanto é tempo, assim que notar que o próximo passo é sentir saudade de alguém que você nem saberá mais se existe. Porque é horrível e porque, na vida real, nem sempre o destino vai se encarregar de reunir vocês através de um livro, como acontece em Três Vezes Amor. Ótimo filme, aliás!

Isabella ficou meio balançada depois de assistir ao filme Três Vezes Amor e descontou tudo no papel. Mas já está tudo bem agora! Desculpa falar em terceira pessoa. Às vezes, é a melhor escolha.
A gente sente saudade de alguém que não sente saudade nossa. No fim, acho que essa é a certeza mais complicada de lidar. 

2 comentários:

  1. EU não to sabendo lidar com esse texto :'( Parece que foi escrito por mim, afinal é tudo que eu to sentindo nesse exato momento.

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