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#profissãoJO: ser da Imprensa não é tirar foto com famoso de graça

Ter uma pulseirinha de imprensa no braço te dá alguns poderes, mas não pense que só por causa dela os profissionais têm acesso irrestrito a camarins, backstages, passagens de som e entrevistas. Essas """"regalias"""" (entre muitas aspas e vocês vão entender o porquê) dependem de inúmeros fatores, como organização do evento e até mesmo boa vontade do artista.

Eu sei que muitos que estão aqui e me acompanham na CAPRICHO pensam em fazer jornalismo, e esse foi um dos motivos que me fez querer escrever este texto. Não quero destruir o sonho de ninguém que quer ser jornalista para entrevistar seus famosos preferidos. Isso pode acontecer! Aconteceu comigo (ai, tive sorte! <3). Mas ter uma pulseira ou um crachá de imprensa não te faz melhor do que ninguém.

É por isso que escolhi problematizar algumas situações da Imprensa em eventos, muitas vividas por mim mesma, e questionar o atual "fazer jornalístico" nesse momento de transição.
Repito: você não é melhor do que ninguém porque é da imprensa. Gosto de bater nessa tecla, pois já cansei de cruzar com pessoas - não digo nem jornalistas, pois muitos conseguem a credencial antes de se formarem ou de entrarem para a faculdade - se aproveitando do "status" que a pulseirinha dá para tentarem entrar em lugares não permitidos, furar a fila - porque é fã, não porque precisa cobrir o evento, caso contrário seu emprego fica na reta -, e tentar se beneficiar de privilégios que os fãs pagam MUITO caro para tê-los, como meet & greet. Isso não é justo, não é profissional. Isso é ser truqueiro, cara de pau e aproveitador.

Mas você deve se perguntar: "e o tanto de selfie de jornalista tietando famosos que vejo?". Quando a pessoa é jornalista, não quando está disfarçada de jornalista (porque, nesse caso, acontece tudo de questionável que abordamos no parágrafo acima), normalmente faz essas fotos depois de uma entrevista ou coletiva, que, geralmente, acontece antes do evento, em um hotel ou em um lugar reservado exclusivamente para isso. Não é que entramos no camarim ou ganhamos meet & greet ou somos melhores amigos das celebridades. Nem todos da imprensa são parças dos famosos (ou de todos os famosos, pelo menos). Não se deixe enganar por uma legenda mais íntima, que, muitas vezes, foi apenas bem bolada para causar tal impressão. Nesse mundo, vale muito mais ter bons contatos e manter um bom relacionamento com assessorias e casas de shows, do que com o artista em si. Ele, muitas vezes, para não falar sempre, é o última a saber das coisas. Fica a dica, futuro jornalista! ;)

É também importante desmistificar que ser da imprensa significa ter privilégios. Nem sempre. Mesmo! Você tem que enfrentar filas, acordar às cinco da manhã em um domingo, se estressar no trânsito, comer porcarias para não desmaiar e ficar feito barata tonta tentando caçar alguém da produção para tirar uma dúvida. Parece que acabei de narrar a minha nada mole vida de fã, mas não. Você, jornalista, tem que esperar até às três e meia da manhã para fazer uma entrevista que estava marcada para às oito da noite. Já aconteceu comigo. E você não pode simplesmente tacar o Let It Go e dizer: "dane-se! Tô cansada. Vou pra casa"; porque a próxima coisa que vai se danar, nesse caso, pode ser o seu emprego. Não preciso nem dizer que você também não pode xingar muito no Twitter para desabafar. Existe um código de conduta que deve ser respeitado, mesmo que você não tenha sido respeitada. A relação imprensa-assessoria-famoso deve ser uma relação de troca. Você depende deles. Eles dependem de você.

Cansaço físico, porém, é o menor dos problemas. Estafa mental em vão é o que mais desanima. Você troca milhares de e-mails, consegue negociar dez minutos de entrevista (que sempre viram cinco), quebra a cabeça para preparar uma pauta legal, contrata cinegrafista e, chegando lá, nada do que estava combinado é cumprido. Você perde tempo e dinheiro. "A artista está se sentindo feia para gravar o vídeo", foi a desculpa mais recente que ouvi. Mas feio mesmo é a desorganização e o amadorismo de certos eventos, e de certas pessoas que deixam para bater o martelo com a assessoria do artistas na última hora, sendo que o martelo com a imprensa já havia sido batido há tempos. Isso acontece porque o evento/o show/a convenção precisa de divulgação. Então, a pessoa te promete coisas que, eventualmente, podem não ser cumpridas. E daí eu pergunto: "cadê a via de mão dupla? Como eu posso recomendar um evento desorganizado, amador, que não cumpre com a sua palavra? Como eu posso divulgar um evento sem um material bom para isso?". Eu não posso. Eu não vou. E as pessoas que confiam no meu trabalho, como ficam? É feio para mim, representante da Imprensa, é feio para eles. Você, futuro jornalista, tenha isso em mente.

Se você quer ir a shows de graça, falar com famosos e conseguir entrar em camarins, talvez você deva ser uma "personalidade da mídia" ou um "formador de opinião". No atual cenário de transição do jornalismo, está havendo essa mudança de postura. Blogueiros, youtubers, instagramers e viners, muitas vezes, têm prioridade na cobertura de eventos. Alguns deles fazem um trabalho impecável, mesmo não sendo jornalistas. Outros, por outro lado, fazem tudo, menos jornalismo. Como confiar nas recomendações? Será que aquela pessoa realmente aprovou o produtinho que está fazendo propaganda? Ou será que ela nem mesmo testou e só está postando aquela foto para cumprir contrato - e ganhar dinheiro? Será que a pessoa realmente curtiu o evento, ou só foi nele para tirar uma foto e postar nas redes sociais? Recentemente, em uma coletiva do último filme da saga Star Wars, uma pessoa perguntou o que diabos era um stormtrooper. E ela foi convidado para representar o filme!!! Não estou dizendo que não existam jornalistas que também não se dão o mínimo de trabalho de pesquisar sobre a pauta antes. Que só querem oba-oba. Que só querem bombar nas redes. Jornalista preguiçoso tem de monte! Mas o mínimo que se espera de você ao cobrir um evento é que você estude sobre ele antes, para que adquira o conhecimento necessário para fazer a cobertura.
Ser jornalista e fazer jornalismo não é apenas postar fotos nas redes sociais. Isso faz parte de uma cobertura completa de um grande evento, sim, mas não é só isso. Este texto é para você, futuro jornalista, que chegou até aqui e teve mais certeza do que nunca do que quer ser no futuro e do tipo de cobertura que quer fazer - perrengues à parte. Hehe! E este também é uma espécie de pintura rupestre, que mostra a relação Assessoria de Comunicação-Imprensa no final de 2015. Que tipo de cobertura você quer que seja feita do seu evento? Em que tipo de cobertura será que as pessoas confiarão daqui alguns anos? Lembre-se de que o período é de transição. T-r-a-n-s-i-ç-ã-o

Você, jornalista, que se acha só porque tem uma pulseirinha no braço, pare, migo, que tá feio! Ser jornalista não é ser famoso. Você, eventualmente, pode se tornar reconhecido por seu trabalho - e esse é o melhor presente que você pode ganhar -, mas você não pode ser classificado como e se considerar famoso só porque é da Imprensa. Isso não faz sentido. Você é Gay Talese. Você não é Frank Sinatra.

2 comentários:

  1. Adorei, Isa. Tem tudo isso mesmo, e tem muita gente que acha que é só isso vindo pro jornalismo pra procurar o lado "glamour" da profissão. Suspeito que no segmento das femininas a agitação seja ainda maior do que nas outras rs

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  2. Acho isso tão bizarro, como tem gente que acha que ser imprensa (não necessariamente jornalista) é um atalho pra ser bff de celebridade e, sei lá, virar socialite. Muito mais do que pensar em trabalhar com famosos ou fazer jornalismo porque gosta de escrever, a pessoa deveria focar no fato de que aquilo é uma ferramenta pra passar conhecimento pros outros, sabe? Enfim, dá pra dissertar longamente sobre isso, haha.
    Feliz ano novo adiantadinho, Isa! :D
    www.callmemaya.com

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