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Des(casos)

O descaso dos políticos com o povo é algo que realmente me deixa bem triste. Eles vivem em outra realidade, não é possível! Em um mundo paralelo, enquanto nós, meros mortais, somos chamados de burros por eles diariamente, mesmo que de forma não tão direta.

Não chego nem ao mérito de fechar escolas e reformar presídios, ou a Crise do Petrolão, ou caixa dois e empresas fantasmas chamadas jesus.com. Confesso que por mais que esteja por dentro de tais assuntos, esses não são minha especialidade. Não que eu seja uma especialista em meio ambiente. Longe disso. Beeem longe. Mas o meio ambiente e suas formas de preservação é algo que curto estudar. Muitas degradações são um caminho sem volta.

Na quinta-feira, 5, uma barragem cheinha de resíduos de mineração se rompeu em Mariana, cidade localizada em Minas Gerais. Muitos mortos, famílias desabrigadas, lama tóxica que poluiu áreas verdes, rios e que agora chegou ao Espírito Santo. Estima-se que os danos ambientais causados pelo "acidente" cheguem a cem anos, no mínimo, e que uma tragédia parecida aconteça no Pará, caso não seja tomada alguma iniciativa, mesmo que já bastante tardia.

O drama não noticiado de Mariana-MG from zcarlos on Vimeo.

No mesmo dia do rompimento da barragem, uma pesquisa, publicada pela revista Science, denunciada os novos rumos da mineração no Brasil. De acordo com o artigo, "a implementação do novo marco regulatório de mineração e a implantação de infraestrutura voltada à geração de energia ameaçam as florestas e terras indígenas, e podem tirar do Brasil o posto de referência global em preservação ambiental", conforme consta na matéria publicada pelo G1 NATUREZA, escrita por Eduardo Carvalho.

O "acidente" em Mariana, Minas Gerais, não pode ser considerado acidente por uma série de motivos que, quanto mais chegam aos nossos ouvidos (ou olhos), mais nos fazem questionar a omissão absurda do Governo.

O deputado Jean Wyllys publicou recentemente, na sua página do Facebook, um texto apresentando uma possível justificativa para essa omissão. Só para você entender, a empresa Samarco Mineração S.A, responsável pelo monitoramento e controle de segurança da barragem em Mariana, é uma empresa de dois acionistas dos GRANDES: VALE e BHP Billiton.

Confira trecho do texto publicado pelo deputado Jean:
"(...) a generosidade da Vale não parou por aí: o maior beneficiário de sua bondade foi o PMDB, que recebeu R$ 11.550.000, quase a metade da caridade da empresa no último ano eleitoral. Também foram beneficiados o PSB, o PCdoB, o DEM, o PP, o Solidariedade, o PPS, o PSD, o PR e o PRB, somando um total de R$ 22.650.000 entre todos os partido(...) Para piorar essas relações entre a Vale e os poderes constituídos, vejam a seguinte equação: a Vale é controlada por uma holding chamada Valepar que, por sua vez, é controlada pela Previ, um fundo de pensões que é controlado pelo Governo. É suspeito, pra dizer o mínimo, que uma empresa com participação do Estado seja doadora de mais de 20 milhões de reais a quase todos os partidos políticos."

O descaso do Governo é um reflexo do descaso das grandes empresas. É inadmissível que uma companhia como a Samarco Mineração não tenha tomado uma atitude para solucionar os problemas apresentados pela barragem, sendo que eles já sabiam deles há anos. Assim como o Governo. É também inadmissível que nossos representantes, como a Presidenta, não tenha sequer visitado o local do "acidente", seja para prestar solidariedade ou para apresentar uma solução para o estrago lamacento, que foi tratado com descaso desde antes mesmo de acontecer.

É assim que nosso Governo trata o meio ambiente diariamente. Empresas clandestinas acabam com áreas de manguezais, extremamente importantes para a flora e fauna brasileira, pois são áreas de berçário natural de muitos organismos e seres vivos, como peixes, para reproduzir camarão em cativeiros ilegais. Não há supervisão por parte do Governo. Essas empresas invadem terras que são nossas, estragam terras que são nossas, sem pedir permissão, sem sofrer qualquer tipo de punição depois.

Áreas e mais áreas são desmatadas de forma ilegal na Amazônia para a criação de gado. Não há supervisão. Só há descaso. Descaso com nossas áreas de preservação, nossa mata nativa, nossos animais, nossos oceanos (que formam o verdadeiro pulmão do mundo)... com o povo.

Indico como leitura o texto Vale de lama, da jornalista Miriam Leitão, publicado na coluna O GLOBO, e aproveito para dizer que este texto é uma espécie de desabafo. Para mim, é muito frustante ver tanto descaso acontecendo com o meio ambiente, e com as pessoas, e não poder tomar uma atitude muito maior. A sensação de impotência é GIGANTE.

É um mar de lama. Literalmente.

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