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Síndrome do 'ninguém vai'

Já gostei de comemorar meus aniversários. Hoje, eu evito. Não curto. Diria até que odeio. Sei que não deveria dizer algo assim e minha avó materna, se ainda estivesse viva, me daria uma bronca, porque, segundo ela, comemorar aniversário é a mesma coisa que comemorar mais um ano aqui na Terra. Ou seja, mais um ano de vida.

Na verdade, o que mais me incomoda não é o fato de eu estar ficando velha. Eu nunca tive medo da velhice, apesar de eu sempre mentir minha idade para menos quando sou parada na rua por alguma daquelas pessoas que trabalham em instituições não governamentais. Eu não me sinto velha! Só tenho medo do que pode acontecer quando muitos anos se passarem.
A cada aniversário comemorado (ou não comemorado, no meu caso) é como se eu me distanciasse mais um ano da minha juventude. Não sinto saudade de ter catorze ou quinze anos de novo, mas sinto saudade da esperança que eu tinha nessa época. Dos sonhos que ainda me moviam. Daquela expectativa de não saber exatamente o que aconteceria no futuro, mas, de alguma forma, ter certeza de que seria algo bom. Sinto saudade de me imaginar com vinte e três anos (na minha cabeça, eu estaria bem sucedida, morando sozinha, dirigindo, praticamente casada!). Eu olhava para as garotas do colegial e pensava: "uau, elas já são tão independentes!". Nessa época, eu tinha certeza de que nada mudaria: meu melhor amigo continuaria sendo meu melhor amigo. Minhas costas continuariam impecavelmente resistentes a horas e horas de computador e videogame. E eu não teria um pingo de dor de cabeça. Eu achava que a cada esquina poderia viver uma cena típica de comédia romântica ou que, quem sabe, eu finalmente teria coragem de tomar uma atitude e contar para aquela pessoa o que realmente se passava na minha cabeça: "ah, hey! Eu perco tempo com esses garotos que não têm nada a ver comigo, mas eu sei que no final vou acabar com você. Essa é a minha única certeza. Minha única segurança".

E olha só! Os anos se passaram em um ~momento clichê chegando~ piscar de olhos e todas as minhas certezas e seguranças afundaram feito o Titanic. E, é claro, eu não encontrei nenhuma porta para me apoiar. E nenhum Jack Dawson. Eu ainda moro com os meus pais, não sinto a mínima vontade de dirigir, tenho dor nas costas quase todo final de tarde e dor de cabeça, no mínimo, uma vez por mês. Eu não acredito mais nas minhas versões de comédias românticas, não falo com o meu melhor amigo e continuo sem coragem para tomar algumas atitudes. Talvez, eu só tenha ficado um tantinho mais cara de pau. Mas, hey! Essa nem sou eu de verdade. Eu continuo sendo a mesma, presa em uma cabeça mais cheia de preocupações, menos cheia de esperanças e com muito medo desses aniversários que parecem chegar cada vez mais depressa.

Eu só queria encontrar a minha porta para continuar boiando na superfície por mais um tempo.

2 comentários:

  1. Uau!!! Poxa eu tinha uma imagem totalmente diferente de você Isa... Não sabia desse seus medos e anseios, nossa... eu tinha certeza absoluta que você era super feliz em todos os aspectos da sua vida, sério mesmo... até eu fiquei triste também T_T

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    Respostas
    1. PH, se você ficou triste... Bem, fico feliz. Era essa mesmo a intenção! Hehe! Mas sentir a tristeza é algo bom, viu?. Faz a gente dar ainda mais valor aos momentos alegres da vida! :D

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