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Os verdadeiros assassinos não são os tubarões

Não sei se você sabe, mas um dos meus maiores sonhos é mergulhar com tubarões brancos. Um dos melhores lugares do mundo para fazer isso é na Ilha de Guadalupe, no México, famosa por sua atividade turística envolvendo mergulhos com tubarões. Não, eu não tenho tendências suicidas e este texto fala exatamente sobre isso.

Recentemente, o surfista australiano Mick Fanning foi atacado por um tubarão branco filhote, enquanto competia no Circuito Mundial de Surfe, em Jeffreys Bay, na África do Sul. Apesar do susto (e que susto!), Mick saiu ileso do incidente. De acordo com o biólogo Marcelo Szpilman, que concedeu uma entrevista para o programa Globo Esporte, o surfista não era realmente o alvo do animal. Aliás, é exatamente isso que acontece na maioria dos casos.
Não me leve a mal! Eu não estou dizendo que você pode nadar em mar aberto com tubarões brancos sem medo de ser feliz. Eles são animais e seguem seus instintos. Por isso, todo cuidado é pouco. Mas eles não são os assassinos cruéis e sanguinários retratados em filmes. Peter Benchley, autor de Tubarão, um clássico da literatura estrangeira, escreveu exatamente sobre isso no prefácio da reedição do livro, em 2005. "Com o conhecimento acumulado de dezenos de expedições, centenas de mergulhos e incontáveis encontros com tubarões de muitos tipos, veio a descoberta de que eu nunca poderia escrever Tubarão nos dias de hoje. Eu jamais demonizaria um animal, especialmente um que é muito mais antigo e muito mais bem-sucedido em seu habitat do que o homem foi ou um dia será, um animal que é vitalmente necessário para o equilíbrio da natureza no mar, e um animal que iremos - se não mudarmos nossos comportamentos destrutivos - extinguir da face da Terra."

Sim, eu fico brava quando alguém fala algo do tipo "ah, são tubarões, sabe? Bora matar todos eles, antes que eles nos matem". Apenas parem! Segundo um recente levantamento feito pelo Arquivo Internacional de Ataques de Tubarões, e divulgado pelo projeto Coral Vivo, anualmente, ocorrem cerca de 55 incidentes com banhistas envolvendo o animal, sendo 4 com vítimas fatais. Em compensação, por ano, acontecem cerca de 27 mortes envolvendo elefantes e humanos; mil mortes envolvendo abelhas (picadas); e 125 mil mortes envolvendo cobras.

O que geralmente ocorre é que o tubarão confunde o banhista com alguma presa que está habituada a comer. Afinal, eles são, sim, animais carnívoros, mas nós, humanos, não fazemos parte de seu "cardápio". A foto abaixo exemplifica bem o que pode ter acontecido no caso Mick Fanning:
"Em 90% dos incidentes, o tubarão comete um erro. Ele acha que somos alguma coisa que não somos", explica o mergulhador Gary Adkison. E a recíproca NÃO é verdadeira! Estima-se que, anualmente, cerca de 73 milhões de tubarões sejam mortos em todo mundo, de acordo com um estudo divulgado pela organização Shark Angels. O motivo? A barbatana deles é uma iguaria valorizadíssima, principalmente em países asiáticos, que lucram com a venda de sopa de barbatana de tubarão. Não, não é um erro. Não é uma confusão. As mortes são propositais. 
Das aproximadamente 450 espécies de tubarão existente em todo mundo, 27 já se envolveram em ataques a humanos, sejam eles fatais ou não. Contudo, uma única espécie de primata bípede do gênero Homo ainda viva, mais conhecida como Homo Sapiens, é capaz de dizimar milhões de espécies de tubarões ao redor do mundo e causar, sozinha, a extinção de 31 espécies. Inclusive a do temido tubarão branco, que corre o risco de desaparecer da face da Terra, como Peter Benchley já bem destacou nos idos de 2005.

Quem são os verdadeiros assassinos agora?

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