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Tudo novo de novo: o fim da CAPRICHO impressa

"It's a paper town. Paper houses and paper people."¹

Tudo é de papel. As pessoas, os relacionamentos, até mesmo os sonhos. Ontem, eu tive essa sensação. A sensação de que a vida não passa de uma simples folha de papel. Reciclável, sim, mas que amassa, rasga, corta... Que pode ser descartada a qualquer momento. E como sobreviver a uma vida de papel? Como confiar em nossas escolhas, em nossos laços, em nosso coração, quando tudo é tão frágil?

Você deve estar pensando que tomei um pé na bunda. Não. Pelo menos, não dessa vez. Mas foi pior. Eu perdi uma amizade. Uma amizade de oito anos com uma amiga de 63. Mas ela era atual! Era moderna, divertida e tinha milhares de amigas adolescentes (e até algumas já adultas). Ela só tinha um problema. E sabe qual era esse problema? Ela era de papel.

Essa foi a minha primeira matéria como estagiária de comportamento da revista.
Fiz um curso de skate e contei a experiência em quatro páginas. Foi um verdadeiro sonho! <3
No meu aniversário de 15 anos, ganhei uma assinatura da revista CAPRICHO da minha madrinha. Foi um dos melhores presentes que eu poderia ter recebido! Na época, eu não sabia disso e nem imaginava que, cinco anos depois, estaria estagiando na redação da CH e, olhem que ironia do destino, cuidando das duas sessões que mais marcaram a minha adolescência: os testes, a primeira coisa que fazia quando recebia a edição nova em casa, e a sessão de sexo, que eu morria de medo e vergonha de ler em locais públicos.

Antes disso, eu já comprava a CAPRICHO. Mas eu "comprava pela capa". Isso é uma das coisas que mais me deixa triste e saudosa. Você aí, de 13 e 14 anos, idade que eu tinha quando ia até a banca, comprava minha CH e sentia aquele cheirinho bom de revista nova, não vai mais poder dizer isso. "Eu baixo pela capa". A frase vai mudar. Já mudou!

A CAPRICHO de papel ficou para trás. Nós, pessoas de papel, que moramos em casas de papel e temos empregos de papel, vamos sentir muita falta. Eu já estou sentindo. A amizade não acabou, que isso fique bem claro! Ela apenas mudou. Mas é tão difícil... Talvez mais para mim do que para você. Ou para as gerações futuras, que já nascerão conectadas. Contudo, o que mais me incomoda é ter a certeza de que, em alguns momentos da vida, não somos mais do que meros números. Números de crachá, de chamada, de WhatsApp, de seguidores no Instagram. E o mais bizarro ainda é não sabermos o que fazer com relação a isso. Ou pior! Não termos o que fazer. Só assistir. Muitas vezes, de camarote. É uma cidade de papel, com pessoas de papel, com nomes e utilidades de papel. Dá um vazio. Gera crise existencial. Mas não podemos desistir. Nem agora nem nunca.

"The town was paper, but the memories were not."²

Continuamos juntos,
Isa Otto, repórter de comportamento da CAPRICHO.COM

¹e²: as frases foram retiradas do livro Cidades de Papel.

5 comentários:

  1. Chorei, mas vou continuar acompanhando a revista hahaha

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  2. Isa! Maravilhosa! Traduziu bem tudo e mais um pouco! <3

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  3. Não acredito!! Eu sempre juntava dinheiro pra ir à banca comprar a capricho. Começava por capa, depois que me apeguei, sempre comprava. E a expectativa de qual será a próxima capa? No meu antigo quarto a parede era toda de capas da capricho... Ah que saudade que capricho de papel vai deixar! :(

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  4. Isa cada dia que passa os seus textos ficam melhores. Que lindo. A Capricho está ditando um novo jeito de comunicar e isso vai ficar marcado na história. Orgulho de ainda ser leitora dessa revista desde os meus 15 aninhos. <3

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