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Deslocada, não. Descolada!

Dia desses, me peguei pronunciando a seguinte frase: "acho que nunca causei em uma balada!". Eu estava no meio de uma roda formada por ~jovens~ (me senti uma idosa de setenta anos agora) de dezenove e vinte anos. Cada um deles me olhou com espanto. Depois, aos poucos, o olhar deles demonstrou incredulidade, choque, curiosidade, pena.

Eu nunca fiquei bem louca em uma balada. Para ser sincera, eu nunca fiquei bem louca na vida. Já fiquei alegre, mas nada além disso. Nunca dei um PT, apesar de saber como funciona. Afinal, é sempre a sóbria do rolê que cuida do amigo que precisa urgentemente de um balde (ou de uma privada) ou da amiga que só precisa de uma sarjeta bem convidativa para tirar um cochilo.

Não tenho certeza, mas devo imaginar como é ficar doidona. Tive, recentemente, uma dor de cabeça que me acompanhou por longos três meses. Tinha vezes que tudo rodava. Eu me deitava e tudo girava. Eu me levantada e tudo continuava girando, girando, girando. Uma loucura! Imagino que essa seja a sensação depois de um goró, um pileque, uma bebedeira, um porre, um afogar de mágoas, um PT, um "vou beber só para não me sentir deslocada".

Eu me senti deslocada no meio dessa rodinha de pessoas que já haviam tido as mais diferentes experiências com bebidas, ervas, pós e doces. Para eles, eu era um ser vindo de outro planeta, que não estava aproveitando direito o auge da minha vida. Para mim, eu era uma pessoa que nunca quis "experimentar" por, simplesmente, não sentir vontade. Por que fazer algo que eu não quero para agradar os outros ou ficar com aquele sentimento de pertencimento?

Ei, veja bem, não quero ser a chata do rolê, a careta, a miada. Não estou dizendo que ser como eu é o correto, o seguro, o saudável. Credo! Jamais. Só estou querendo te dizer que se sentir deslocada é relativo. Eu não me considero uma loser por nunca ter causado em uma balada. Eu não me importo com os olhares que recebo por isso. Na verdade, eles nunca me incomodaram. E eles não devem incomodar você. Losers são essas pessoas que fazem algo que não querem apenas para serem aceitas em uma rodinha.


"Então o que está rolando? Ser popular por acaso significa que você precisa agir como uma vaca com todo mundo que não seja seu amigo? Seja qual foi a resposta, será que eu quero mesmo ser assim? Talvez exista alguma outra definição de popularidade. Deve existir."
Trecho do livro "Popular: dicas vintage para ser uma garota descolada"*, de Maya Van Wagenen.

(*): a inspiração para este texto surgiu após eu ficar tonta, com a vista embaralhada, capengando pelos cantos, por ter lido todas as 273 páginas do livro de uma só vez. Agora me diz: tem melhor PT que esse? ;)

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