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Às vezes, nosso mal é venerar demais o passado

É bizarro como a gente se apega ao passado, mesmo que nem tenhamos vivido nele. "Antigamente, era melhor", "nasci na época errada", "glorioso mesmo foram os anos 60". Nesse final de semana, assisti mais uma vez a Meia Noite em Paris, de Woody Allen. Adoro esse filme! É incrível como ele nos faz refletir, justamente, sobre esse nosso lance de venerar o passado.

Não é novidade para ninguém: sou uma pessoa muito melancólica. O Gil, personagem de Owen Wilson no longa, é a minha alma gêmea, apesar de eu não sonhar com a Paris dos anos 20. Eu queria mesmo era ter nascido nos anos 50, acompanhado de perto a beatlemania, participado do Woodstock, resistido ao som da Tropicalia. Mas chega! Como disse, isso não é novidade para ninguém. Hoje, me deu vontade de falar sobre algo novo: o futuro.

Sabe, eu não acharia nada ruim se, em um futuro próximo, eu estivesse caminhando pelas ruas de Paris com uma pessoa especial. Ela poderia ser a minha mãe. Provavelmente, com base no meu histórico de amores fracassados, ela vai ser. Ei, nada contra! Seria inexplicável realizar esse sonho ao lado da minha mãe, uma das pessoas que mais amo no mundo. Mas essa pessoa também poderia ser aquela que, pela segunda vez na vida, faria eu me sentir imortal.

Nós caminharíamos na chuva (e eu não me preocuparia com o meu cabelo molhado ou com o rímel borrado), faríamos passeios noturnos, desbravaríamos bibliotecas, passearíamos pelos jardins de Versailles, compraríamos bugigangas em feirinhas de antiguidade, ouviríamos Cole Porter e, quando estivéssemos bem cansados, comeríamos uma baguete e dividiríamos uma garrafa de vinho sob as estrelas, esparramados em alguma sarjeta.

Quando o relógio anunciasse as doze badaladas, nós, de repente, começaríamos a dançar, sem música, e não nos importaríamos com isso. O silêncio não seria incômodo. Olharíamos bem fundo um nos olhos do outro e começaríamos a rir. Rir, rir e rir. E depois dessa dupla crise de riso, daríamos um longo suspiro, juntos, e encerraríamos a noite com um longo beijo. Ambos, sentir-se-iam imortais.
Ah, o futuro... Às vezes, ele pode ser tão melancólico quanto o passado. Afinal, não estava viva nos anos 60 e não faço a menor ideia de como será o dia de amanhã. Mas eu daria tudo para entrar em um táxi mágico, que me esperaria em alguma esquina, exatamente à meia noite, e dar uma espiadinha no meu futuro. Talvez, assim, eu conseguisse me permitir mais. E você?

Que o nosso amanhã seja tão doce quanto a aventura de Gil pela Paris dos anos 20...

Um comentário:

  1. Ei Isa você sabe falar inglês? É porque é a primeiro vez que vejo seu blog (estou amando) :3

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