Logo



Polaroids


















Menu

O tal do psicológico

Há uns quatro anos, quando tive a minha primeira crise renal, fui ao pronto socorro. Fui, não. Meu pai me levou porque a dor era tanta que eu nem lembrava o meu nome. Fiquei uma semana indo diariamente ao hospital para tomar remédio na veia. Mas, nos últimos dias, a dor já era menor e eu até já conseguia pronunciar o meu nome completo. Em uma dessas idas ao pronto socorro, enquanto estava na sala de medicação, uma senhora sentou-se ao meu lado e começou a gritar desesperadamente:
- " Me ajudem! Eu não estou enxergando nada. Socorro! Me ajudem!".

Pronto. No segundo depois, eu também já comecei a sentir a minha visão um pouco turva. Depois, descobri que a senhora havia tido uma pequena queda de pressão, mas passava bem. Qual é a moral da história? Bom, desde esse dia, percebi que sou uma pessoal descontroladamente cismada. E só estou piorando. Talvez por conta da idade. Vai saber.

Por exemplo, no mês passado, comecei a sentir uma dor louca de cabeça. Marquei uma consulta e o doutor me receitou trezentos mil anti-inflamatórios. Não tomei nenhum. O motivo? Não gosto de tomar remédio. Daí você me pergunta por que cargas d'água, então, eu vou ao médico? Pois é. Esse é o "x" da questão. Acho que só preciso escutar uma voz amiga e estudada dizendo que não estou morrendo.

Sim. Eu sempre acho que estou no fim. Ou, então, sempre penso na pior possibilidade possível. E sabe qual é o meu maior erro? Eu uso o Google como referência. Lá, tudo é câncer, AIDS ou gravidez. E eu sempre acredito no que leio. Até nos comentários do Yahoo Respostas. Daí eu começo a sentir, automaticamente, todos os sintomas no meu corpo. Conformo vou sentindo um novo, dou outra "googlada" e descubro mais um problema. Ou, então, me conformo de que realmente deu ruim para mim ou fui premiada com um caso raro.

Estou escrevendo este texto porque esses últimos dois meses foram complicados. Depois da eterna dor de cabeça, que eu pensei ser um aneurisma (valeu, Google!), mas era apenas um mau jeito na coluna e no pescoço, engoli um caquinho de vidro. Era um sábado, eu tinha três aniversário para ir, mas acabei a minha noite na sala de espera do pronto socorro. De novo. É que, na primeira comemoração, fui beber e, depois de dar o primeiro gole, senti uma coisa estranha na minha boca. Era um pedacinho bem pequenininho de vidro. Mas até aí eu já tinha engolido, Ou seja, e se eu tivesse ingerido mais vidro sem perceber?

Provavelmente, se eu não tivesse sentido esse caquinho na minha boca, eu nem ia reparar e teria curtido e me divertido nas três festas. Entretanto, mais uma vez, o psicológico falou mais alto e eu já comecei a sentir o caco perfurar meus órgãos internos. Sobrevivi.

A nóia, meus amigos, é terrível. É aquele sentimento que você tem quando a menstruação atrasa. Você sai na rua e só cruza com mulheres grávidas. Chega em casa, liga a TV e vê um comercial de fraldas passando. Entra no Facebook e só se depara com fotos de bebês. Daí você acha que a sua barriga está crescendo, começa a sentir dores suspeitas no umbigo, dá um Google e se desespera ainda mais, mesmo não tendo um real motivo para isso. Afinal, você não é a reencarnação da Virgem Maria.

Isso se chama nóia. É quando você está com uma enxaqueca, mas começa a tossir, a sentir-se quente, a enxergar manchas vermelhas no corpo, que não existem, e se diagnostica com dengue. A época da Gripe Suína foi terrível para mim! Praticamente, não queria sair de casa nem andar de transporte público. Também estava certa de que iria pegar Ebola. Não estou fazendo pouco caso de doenças sérias. Ai, de mim! Eu realmente sofro com todas essas cismas. E não adianta ninguém me dizer que as coisas não são assim e que eu estou bem. Só fico mais relaxada depois de me consultar com um médico e ouvir dele que está tudo na paz de jah. E ainda assim desconfio, viu?

A conclusão é que se você for assim como eu, tente se acalmar. Olha só o sujo falando do mal lavado, né? Mas, é sério, eu sofro muito com essas minhas milhares de cismas e sei que incomodo as pessoas com isso. A minha mãe, coitada, já tem carteirinha cativa de visitante no pronto socorro perto de casa (mãe, te amo!). Eu também fico muito mais tranquila, quando, por exemplo, vou viajar e me hospedo em um lugar que tem um hospital por perto, Então, respira. E, sob hipótese alguma, acredite em tudo que lê no Google. Estou falando isso porque sei que é verdade. Mas, quando é comigo, eu sempre acabo acreditando no pior. E não é uma escolha minha, não! Ela vem automaticamente, não consigo evitar nem ter controle sobre ela. Tudo culpa de um lugarzinho lá no Sistema Nervoso responsável por alimentar todas as nossas nóias. É difícil demais, minha gente! O psicológico é a coisa mais poderosa - e perigosa -  do mundo.

5 comentários:

  1. Isa, Isso Sempree Acontece Comigo, Eu Fico Pensando Que Tenho Mil e Uma Doença, Você Me Ajudou Muito, Pensei Que Era Só Eu Rsrs' Mais Obrigada Flor!!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Hahahaha! Tamo junto, Luluh! Bom encontrar tantas amigas de nóias hehe

      Excluir
  2. Isaaaaaa, adorei essa matéria... eu sou a pessoa mais neurótica do mundo kkkkkkkkk e recentemente o pai do meu namorado infartou kkkk eu estou uma pilha, tentando ao máximo me manter, mas... e sim isa, já senti dor no umbigo, nos cilios e vivo achando que estou com falta de ar porque fico prestando atenção na minha respiração... Eu presto tanta atenção, que começo puxar o ar que nem doida, chego a ficar tonta UAHSUAHSUA tem que rir pra não chorar... Mas é isso ai, vamos tentar combater esses medos, e tentar ser mais feliz, porque querendo ou não, esses medos e paranoias acabam com a nossa energia, tem dia que eu choro demais, porque não aguento mais sentir tantas coisas D: Beijos isa, melhoras pra vc e pra todos os paranoicos, toda força e pensando positivo é bem vindo haha ♥

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Hahahahaha! Ai, Cá, estamos juntos, viu? É muita paranoia para pouca Catarina e Isabella, né? Mas a gente vai sobreviver. Encontrei tanta gente cheia de nóia também que oh... Fiquei até mais aliviada! Hahahaha! Beijos :*

      Excluir
  3. Verdade Isa, o meu medo é de quando realmente for algo ninguém mais acreditar de tanto piti que eu já dei KKKKKKKKKKKKKKKK omg... mas é né, a gente fica mais aliviada de saber que não estamos sozinhos hahahahahaha beijão ;)

    ResponderExcluir