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O sonho do tomara que caia próprio

A roupa é lindíssima na vitrine, mas, quando você a prova, o encanto se desfaz em segundos. É realmente uma tristeza quando isso acontece, mas eu nunca tinha chegado ao ponto de me descabelar. Até o dia em que fui comprar biquínis para a minha viagem de formatura do terceiro ano do colegial. Eu tinha dezesseis anos e, pela primeira vez na vida, chorei por causa de uma peça de roupa.

Lembro-me de ver um anúncio na revista do bairro de uma loja de biquínis onde você podia montar suas combinações. Achei revolucionário! A moda já existia, mas ainda não eram todas as lojas que deixavam você comprar, no caso, a parte de cima no tamanho G e a inferior, no P. Sem contar que os biquínis pareciam lindos no anúncio! Provavelmente porque a modelo já era incrivelmente linda (e magra) e ficaria bem até com essa nova moda de transformar fitas isolantes em roupas de banho.

Convenci minha mãe de que deveríamos dar uma olhada e, chegando na loja, pedi para ver as opões de modelos com bojo. Não me lembro ao certo, mas devo ter escolhido umas quatro combinações, que arruinaram o resto do meu dia. O tamanho G, que representava a numeração 40, já não me servia mais. Que maravilha! Eu tinha 16 anos, estava prestes a ir para Porto Seguro e não conseguia sustentar um mísero biquíni no corpo.


De fora do provador, escutava minha mãe me perguntar se eu já estava vestida, pois ela queria ver como tinha ficado. Provavelmente, a vendedora também estava do lado de fora, torcendo para fechar a venda e ganhar a sua comissão. Eu, no entanto, estava torcendo para conseguir segurar as lágrimas e esconder, de alguma forma, todo o meu seio dentro do bojo. Foi horrível.

No ano passado, decidi visitar a loja novamente. Ela fica pertinho de casa, tem preços bons e eu precisava de um biquíni para ontem. Resolvi tentar mais uma vez. O resultado? Bom, rebobina essa fita e lê o primeiro parágrafo deste texto novamente, pois tudo aconteceu da mesmíssima maneira. Aliás, minto. Duas coisas ocorreram de formas diferentes. A primeira é que, da segunda vez que visitei a loja, já tinha 21 anos. A segunda é que, apesar de ainda chorar por não conseguir comprar um biquíni que ficasse bom em mim, não culpei o meu corpo por isso. Culpei a loja de fabricação própria que não sabia fazer biquínis. Ufa. Pronto. Fim da história. Que alívio!

Dois meses depois, passado totalmente o trauma, fui a outra loja e comprei dois modelos de biquíni tamanho 44 em cima e 38 embaixo. Eles tinham bojo, alças grossas, não eram do modelo cortininha, mas me deixavam confiante e segura. Eu aprendi que esse é o modelo que fica bem em mim, que me valoriza. Não que eu não possa usar qualquer outro modelo. Eu posso. Sou eu quem decido. Mas não me sinto tão à vontade com um tomara que caia, modelo que sempre sonhei usar. É o meu corpo, são os meus peitões, e eu tenho muito orgulho deles! Hoje, eu usaria um tomara que caia? Ah, usaria. Mas, por uma questão de segurança e conforto, vou deixar esse modelo para a Gisele Bündchen, que, provavelmente, fica linda até usando um biquíni de fita isolante.

E, ei, você aí! Fica tranquila, porque eu ainda vou inventar um tomara que caia que sirva direitinho pra gente que tem uma avantajada, linda e poderosa parte de cima. Por enquanto, o que eu posso te dizer é que, quando você vestir um biquíni ou qualquer outra peça de roupa que não sirva em você, não se culpe, não culpe o seu corpo, não se odeie. Culpe o fabricante! Também não dê ouvidos àquelas pessoas que ficam dizendo que "uma cirurgia para diminuir os seios seria bom" ou que "um silicone, para deixá-los mais firmes, cairia bem".

Mas se ainda assim você sentir vontade de chorar... Vai nessa! Faz bem. Desopila. Bota tudo pra fora. O padrão de beleza (zZzzZZz) diz que toda brasileira é bunda. Bom... No meu caso, deu ruim. Pode rir. É pra rir, na verdade! Hoje, eu adoro meus peitões, amo a minha bundinha tamanho PP e gostaria, de coração, que alguém tivesse me dito tuuuudo isso na adolescência. Eu me sentiria menos feia. Eu me sentiria menos fora dos tais padrões, que só servem para "despadronizar" a nossa autoestima. Eu me preocuparia menos em perder meu tempo me comparando com as minhas colegas de turma.

Não é você que tem que se moldar à roupa. É a roupa que tem que se moldar ao seu corpo. Não tenha vergonha de pedir um número maior ou um número menor. Tamanho não é documento. É clichê, mas é verdade.

Tamo juntasso!

8 comentários:

  1. o texto é maravilhoso e eu tô amando o blog tipo MUITO! <3

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  2. Que texto maravilhoso. Eu comprava calças tamanho 40 ou 42 por que meu quadril é um pouquinho avantajado e sempre que provava me achava enorme de gorda, mas na verdade era as lojas que faziam as calças com o cós muito baixo. Aprendi isso depois que cresci um pouco e maturidade acabou batendo na porta. A gente sempre quer ser aceita em um grupinho considerado "legal" mas o legal mesmo é se amar do jeitinho que a gente é e fazer as pessoas enxergarem isso. Adorei o texto e pra falar a verdade eu amo todos os seus textos <3. Parabéns por escrever algo que talvez muitas adolescentes não enxergam agora, mas com essa ajudinha sua elas vão começar a enxergar. Beijos!!

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    1. Obrigada, Nataly! Fico muito feliz em saber que você gosta dos textos e espero ajudar muitas meninas com eles, sim. Essa é a ideia. E, ah! Faço das suas, as minhas palavras. Concordo com tudo <3

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  3. Texto muito legal mesmo Isa, eu sofro do mesmo problema de seios g e bumbum pp e confesso que já pensei em fazer cirurgia para diminuir a parte de cima mas depois tirei essa loucura da minha cabeça e comecei a procurar peças que me deixam mais confortável.

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    1. Eu também, Li! Meus pais são a favor, sabia? Eles sempre me falam que seria melhor para mim, mas meus seios ainda não me atrapalham. Já fiz RPG, pra melhorar a postura, mas tô bem, por enquanto. Tamo junto o/

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  4. Isa amore! Adoro seus textos, e sempre que preciso recorro a você! Bjss

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    1. Que legal saber disso! Espero, então, que continue te ajudando com eles :)

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