Logo



Polaroids


















Menu

Minha infância ao lado de Alex Kidd


E de repente, um console Sega Master System chegou em casa. Eu tinha sete anos. Meu primo havia comprado um Nintendo 64, último lançamento no mercado, e resolvera me dar o seu videogame antigo. Ele era meio estranho. O console, não meu primo. Já parecia velho e eu precisava assoprar as fitas para que os jogos rodassem. Era poeira pra todo lado! Mas, assim mesmo, ele foi revelador para mim.

Minha memória afetiva com games começou nessa época, com um personagem de orelhas pontudas e mãos enormes chamado Alex. O jogo em questão era o Alex Kidd in Miracle World, lançado pela SEGA em 1986. Que difícil era estudar naqueles dias! Eu contava as horas para chegar em casa do colégio, devorar o almoço e passar a tarde tentando salvar a terra de Radaxian do vilão Jaken.

Foi na companhia do Alex que eu tive o meu primeiro surto. (risos) Era uma fase em que vários foguinhos ficavam girando e eu precisava passar por todos eles sem me queimar. E quem disse que eu conseguia? Só sei que joguei longe o controle, que, naquela época, ainda era conectado por um fio ao console, e xinguei até a minha quarta geração de antepassados. Minha mãe ficou chocada!

Acredito que, de certo modo, o primeiro surto desencadeado pelo videogame se assemelhe ao primeiro PT desencadeado pela bebida, apesar de eu nunca ter dado um. Um PT, não um surto. Aqui em casa a gente nunca acreditou nessa história de que games deixam as pessoas violentas. Na verdade, minha mãe ficou mesmo preocupada com a minha boca suja. Mas o meu primeiro surto nervoso me ensinou algo muito valioso: a gente não pode perder a cabeça e desistir diante de uma missão difícil. Porque missões impossíveis não existem! Essa foi a primeira grande lição que o videogame me ensinou. Eu xingava (e ainda xingo), mas daí eu parava, respirava, contava até dez, tomava um copo de água, voltava, fazia a missão de novo e passava por ela. E não importava quantas vezes eu precisasse tentar... É assim também na vida.


No final de cada tela, ou fase, o Alex jogava "Jan Ken Pon" com um adversário. Pedra, papel ou tesoura? Lembro que sempre pedia a ajuda da minha mãe nessa hora, porque ela era muito boa em dar palpites. Ta aí: o videogame não me afastou em momento algum de minha família. Minha mãe e eu passávamos horas jogando Alex Kidd. Quando uma morria, era a vez da outra. E assim sucessivamente. Até que "O Fim" apareceu escrito em letras brancas sobre uma tela preta. Foi a primeira vez que chorei com um videogame. É a mesma sensação que você tem quando um filme acaba e você fica chorando baixinho enquanto encara os créditos finais. Mas não foi um choro de tristeza. Eu sabia que poderia recomeçar o game sempre que quisesse. Foi mais uma sensação de missão cumprida, sabe? Só quem já zerou um jogo sabe quão bom é esse sentimento.

Hoje, confesso que derramo uma lágrima bastante sofrida quando escuto o tema musical do jogo no YouTube (escute aqui!). Não tenho mais o meu Master System e as versões de Alex Kidd na internet não chegam nem perto da versão original. É um sentimento de pura nostalgia. Sinto saudade da minha infância, do Alex, do meu videogame, de passar a tarde toda jogando sem culpa.

Valeu, Alex! Eu não seria quem sou hoje, se você não tivesse existido.

E depois ainda dizem que videogames não moldam de forma positiva o caráter de uma pessoa... Tsc. tsc. E você, se lembra do primeiro game que jogou na vida?

Nenhum comentário:

Postar um comentário