Logo



Polaroids


















Menu

Conte-me mais sobre você

Conte-me mais sobre como você:
- não gosta de balada, mas bate cartão em uma diferente todo final de semana e ainda faz o rei do camarote?
- finge estar querendo dar um tempo do celular, mas entope o histórico do Snapchat com trezentos vídeos mostrando o quanto você se divertiu na baladinha que foi?
- dá uma de príncipe encantando, ao mesmo tempo que está na balada "putz-putz", gravando Snapchat e mandando WhatsApp para várias ao mesmo tempo?

Apenas, conte-me mais...

Me desculpe o auê, eu não queria despejar esse monte de "mimimi" em você. Mas posso aproveitar para te dar um conselho de amiga? E saiba que mesmo que você responda "não", não vai adiantar, porque estou sentindo uma necessidade gigantesca de dizer para você não se apaixonar por alguém que você conhece apenas pela internet. Não mergulhe de cabeça nem fantasie a vida incrível que você terá ao lado dessa pessoa, com dois filhos e um cachorro. Quem sabe, um gato.

Quer dizer, pode até dar certo. Confesso que nossas conversas via WhatsApp foram bem divertidas. Até que o dia seguinte chegou e, feito Voldemort na batalha final de Harry Potter e as Relíquias da Morte - Parte II, a casca fake do príncipe encantado se dissolveu em milhares de partículas de mentiras.

Que dia! Fiquei mal humorada, ganhei umas ruguinhas novas na testa por conta da cara emburrada, dei patada nos meus pais, fiquei encarando a palavra "online" que aparecia no Whats dele e a tela bloqueada do celular, à espera de um milagre. Quer dizer, de uma mensagem. Prometi nunca mais ser trouxa novamente, pensei em ir me benzer para tirar toda a urucubaca e curar esse meu dedo podre, que, dessa vez, veio fantasiado de bom moço.

Mas, sobrevivi. Na real, a bad durou só um longo e interminável dia. Depois, passou. Óbvio que eu ainda sinto coceirinhas nas pontas dos dedos para mandar alguma coisa para ele. Mas não vou. Não vou porque sou orgulhosa, porque sei quando estou recebendo desculpas esfarrapadas e porque decidi tocar a minha vida adiante e esperar até o dia em que a gente se trombe por aí e... Ah, quem sabe, né? Pegar e não se apegar. Afinal, apesar de tudo, ele é o meu número. Mas é sempre assim: no fim, eles sempre fazem o nosso tipo. Até estava disposta a relevar os defeitinhos de fábrica. Contudo, sabe como é: é como se eu estivesse fazendo uma compra online. Na vitrine virtual, o modelo parecia perfeito. Mas e se, ao vivo, ficasse apertado ou curto demais? E se o tecido incomodasse? E se fosse preto e azul ao invés de branco e dourado?

Não mergulhe de cabeça até conhecer a profundidade exata da piscina. E só arrisque fazer a compra online quando, no fundo, você tiver o mínimo de certeza de que, realmente, vale a pena.

2 comentários:

  1. Nossa Isa, amei o texto. Super profundo, reflexivo e irônico ao mesmo tempo. Parabéns, você escreve muito bem!
    http://www.facetasdacarol.com/

    ResponderExcluir
  2. Definitivamente você é uma escritora incrível, com escrita leve, reflexiva consegue nos passar uma mensagem legal sem precisar apelar como alguns fazem por aí. Amei o texto Isa.
    Eu não sei se a história é um fato real ou não, mais a verdade é que hoje em dia mesmo conhecendo a pessoa você nunca vai saber "tudo" sobre ela.

    ResponderExcluir