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A gente muda

Lembro-me de que há um tempo, um não tão distante assim, costumava a amar dias cinzas, frios e chuvosos. Eles permitiam que eu saísse na rua e imaginasse o Big Ben ali, na minha frente, prestes a soar algumas badaladas. Eu também dizia que odiava praia. A minha desculpa mais clichê era a de que a areia fazia eu me sentir suja. Depois, é claro, completava dizendo que a brisa do mar deixava meu cabelo grudento e que eu tinha medo de entrar na água e pegar uma virose. Eu culpava até o sol, que me deixava marcas vermelhas bizarras pela pele (não era eu que passava o protetor solar errado, não, viu?). Eu tinha muito orgulho de ser do time dos Stark (Winter is coming) e me dar bem com o frio, com o tempinho mais ou menos, em que eu podia ficar escondida dentro do quarto, ler até a vista embaralhar, jogar videogame e manter o bronzeado de escritório em dia.

Testa grande. Esse era mais um dos meus complexos, que só aumentou depois que uma amiga fez questão de me lembrar, durante uma aula de educação física, que a minha testa parecia uma “tábua de bater bife”. Na hora, eu ri. Cinco minutos depois, já havia esquecido a zoeira. Nunca me deixei abater. Mas a verdade é que, lá no fundo, eu sabia que fazia de tudo para disfarçar a minha “tabuinha”. Cortava franja, mesmo que, para isso, precisasse acordar todos os dias mais cedo para escová-la. Sem contar que estava sempre disposta a conviver com aquelas bolinhas chatas de calor, que se formam quando a gente insiste em ostentar uma franjinha em pleno Verão. Nunca fazia rabo de cavalo sem deixar um belíssimo pega-rapaz na frente do rosto, mesmo que meu cabelo estivesse completamente ensebado. Sabe a moda do topetinho no topo da cabeça? Pois é. Nunca aderi a ela.


Todas essas confissões foram apenas para te dizer quatro coisas: hoje, eu amo dias ensolarados, quentes, daqueles em que posso sair de casa usando um vestido e uma rasteirinha; sou completamente apaixonada por praias e não estou nem aí para o tamanho da minha testa ou para o estado do meu cabelo depois de dar um tchibum bem gostoso no mar. Tudo bem, eu admito que, no dia a dia, ainda uso meus truques de ilusão de ótica para fazer a minha testa parecer menor. Mas, ei, isso também não é nenhum pecado!

Hoje, você pode bater o pé, dar às costas para a vida e falar que não, quando a sua mãe, o seu pai ou quando qualquer outra pessoa disser que “um dia, seu jeito de pensar vai mudar e essas manias vão passar”. Mas é verdade. Quando eu falava que odiava dias quentes, eu não me referia à temperatura em si, mas a suas consequências. Antes, eu não queria colocar short porque ainda não tinha passado pela primeira depilação (minha mãe dizia que ainda era muito cedo, por mais que todas as minhas amigas já tivessem aderido à cera ou à lâmina). Depois, eu não tinha coragem de encarar o shortinho por causa das marcas de pelo encravado nas pernas, que todo mundo tinha, mas eu achava que as minhas eram mil vezes piores.

A mesma coisa valia para a praia, com outros dois fatores de acréscimo: eu tinha vergonha de colocar biquíni e não fazer tanto sucesso quanto "a mais gostosa da turma”, e tinha medo de molhar o cabelo e não ter uma chapinha por perto para alisar o que, com toda certeza do mundo, ia enrolar. Hoje eu penso: “quanta besteira!”; mas, na época, acredite, tudo isso era muito sério para mim. Assim como deve ser muito sério para você.


Todo mundo tem as suas “nóias”, os seus complexos, as suas inseguranças. Mas veja bem: nas minhas últimas férias, eu caminhei de biquíni pela praia, sem me importar com o tamanho do meu bumbum, usei shortinho e entrei no mar e gostei de como o meu cabelo ficou depois. Detalhe: nem dei aquele truque de ajeitar os fios ao sair da água, para moldá-los e deixá-los repartidos ao meio, para disfarçar o tamanho da testa; joguei tudo para trás mesmo! A gente muda. Ou melhor, nossa maneira de julgar tais "problemas" como problemas muda. E o momento em que você se dá conta disso é tão libertador... Essa hora também vai chegar para você. Lembre-se de me contar quando acontecer?

3 comentários:

  1. Oi Isa, te tenho no facebook e nem sabia que você tinha um blog, hahaha! Enfim, vou ter que confessar que me identifiquei demais, principalmente sobre o lance de amar dias frios (porque eles são ótimos pra nos manter dentro de casa) e o complexo de testa grande. No meu caso, a minha é realmente enorme, à la Rihanna e evito câmeras por isso (é algo que não consegui superar ainda). Outra coisa é que evito biquínis também (que substituo por maiôs às vezes e levo bronca das minhas irmãs cheinhas) justamente por me achar com curvas "de menos" e barriguinha demais. Odeio também como meu cabelo e minha pele ficam depois de sair da água, ainda mais sem a base na cara pra esconder as imperfeições, mas o que posso fazer, né? Quando mais nova, eu era bem mais complexada com isso e me escondia das pessoas bem mais que hoje em dia. Eu amo mar, piscina, água, e quando nado lembro me sinto bem, leve, livre, e essa liberdade me lembra o quão bom é se libertar das amarras que a gente impõe na gente mesma quando somos mais novas. Estamos sempre mudando, crescendo e aprendendo e isso, pra mim, é a melhor parte de viver. Adorei o texto! Espero que possa ajudar quem ainda se prende totalmente à essas coisas!

    Um beijo!
    http://equinociourbano.com/

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    Respostas
    1. Oi, May! A gente se tem no Face? Ai, me chama lá depois pra gente conversar :)
      Eu acho que você se enxergou no meu texto e eu me enxerguei no seu comentário. Juro! Somos bastante parecidas... Que legal saber que você já superou algumas nóias. E eu espero que você supere todas as outras. Porque, no fim, elas nada mais são do que nóias que a gente tem, mas que os outros nem percebem. E se perceberem também... Ai, deixem que digam, que pensem e que falem, sabe? Hahaha! Um beijinho e obrigada pelo comentário <3

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  2. Não comentei antes, por motivos: Estava sem internet, quando eu vi o titulo do texto, pensei que esse texto seria uma narração da minha história. Eu era uma pessoa magra, mais depois de um tempo eu fiz uma cirurgia sabe? E comecei a engordar, e isso até não me incomodava, até chegar no primeiro ano do ensino médio, logo depois que eu fui fazer ensino médio no primeiro ano em uma escola técnica ( era tempo integral), comecei passar bullyng na escola, e isso começou a me deixar bem para baixo, antes eu gostava bastante de tirar fotos, com o tempo isso foi se tornando um terror para mim, com o tempo deixei de sair de casa com medo do que as pessoas iriam pensar sobre mim, resultado: Continuei comendo, passando bullyng e cheguei aos meus 116 quilos, com 15 anos. Quando sai da escola, vi que eu não era aquilo tudo de tão feio que as pessoas falavam de mim, entrei em uma academia ano passado, já eliminei 22 kg, e hoje sou outra pessoa ( ainda bem), escrevo no meu blog sempre sobre isso. E que saber? Deixe que falem, que zombem e até riam de você, viver para ser feliz é o que importa.
    Desculpa pelo textão. kkk! Mais eu tinha que escrever tudo isso (:
    Beijos, e você é uma linda <3
    www.ficandosozinho.com.br

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