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Precisamos reconhecer os erros dos nossos ídolos

Quando peguei a caneta para escrever este texto (sim, a maioria deles escrevo antes no papel), tinha a ideia de falar sobre a polêmica que rolou recentemente entre Cellbit e Rezende. Mas não é novidade para ninguém (ou é?) que sou fã do trabalho do Cellbit e achei que, por mais imparcial que tentasse ser, minha opinião seria tendenciosa.

Daí eu acabei me lembrando do Justin Bieber e da mais recente das muitas polêmicas envolvendo o cantor: ele chutou o presente que uma fã jogou no palco, chamou o lance de "merda" e depois se desculpou usando um tom meio irônico.

Antes que algumas beliebers me ataquem, quero deixar claro que estamos do mesmo lado. Eu sou muito, muito fã! Não do Justin, é verdade, mas de vários outros artistas. Ou seja, posso opinar sobre o assunto porque estou dentro do rolê dos fandoms, e não assistindo de fora e querendo dar uma de problematizadora-caçadora-de-cliques-e-curtidas.

O fato é que precisamos reconhecer os erros dos nossos ídolos. Estou cansada de ver fã tentando justificar a mancada do artista favorito, como se ele fosse uma espécie de deus livre de defeitos, quando seria muito mais fácil e bonito admitir a cagada. A coisa mais incrível de ser fã de outra pessoa de carne, osso e sentimentos como você é tratá-la como um igual (independente da conta bancária! Rs), que tem altos e baixos, fases e escolhas. Ela bebe, fuma charuto, cigarro, maconha, surta, fica triste, feliz, casa, separa, namora, dá só uns pegas, faz xixi, cocô, vomita, fica doente, dorme, não dorme e, assim como todos nós, erra.

Alguns erram mais, outros menos, mas independentemente dos erros, nós sabemos que nossos ídolos acertam. Ah, e como acertam! Nós valorizamos esses acertos, endeusamos eles, os colocamos em um pedestal e... Nos esquecemos. Agora, os erros, não. Os erros a gente remói, joga na cara, nunca esquece, não aceita nem reconhece. Errado.

O ídolo foi escroto com um fã? Reconhece. Ele defecou pela boca? Reconhece. Ele fez algo que você julga errado? Aceita. Ele foi cuzão? Reconhece e NÃO aceita. Porque não aceitar não significa que você vai deixar de ser fã ou de gostar. Não apoiar o ídolo em alguns momentos não diminui a sua credibilidade dentro do fandom. É preciso separar o pessoal do artístico; e mesmo se o artístico começar a encrencar, é preciso admitir isso, pois admitir o erro não é trair o movimento.

Ame seu ídolo. Ame-o até nas situações mais duvidosas. Mas reconheça que ele errou e não o defenda. Seja aquela amiga que te dá um puxão de orelha e te acorda para a vida, não aquela que passa a mão na sua cabeça e te encoberta.

Todo mundo erra e algumas pessoas tratam os erros dos ídolos como verdadeiros pecados, como coisas incapazes de acontecer. Essas são aquelas mesmas pessoas que tentam justificar, argumentar, que chegam até a atacar outras pessoas quem têm uma opinião diferente, que não querem ver, que estão cegas. Bonito mesmo é admitir as cagadas dos ídolos e falar: "Pô, que merda! Essa não tem como defender, mas apesar de tudo, apesar de não concordar com isso, eu vou continuar aqui, acompanhando seu trabalho, comprando ingressos, usando camisetas, porque isso me faz bem. Mas eu sei que o que você fez não foi certo."

Isso é ser fã. E isso é BOM DEMAIS! Vlw, flw. 


Os Jogos Mortais do YouTube

Olá! Como diria meu grande amigo Paul McCartney: "It's been a long cold lonely winter". Na verdade, o Inverno mesmo, para valer, começou há pouquíssimo tempo, mas já faz uns bons meses que não nos vemos, não? Saudade, inclusive.

Foto: Reprodução/YouTube
A vida continua a mesma, com a diferença de que tenho trabalhado bem mais. Não gosto de usar essa desculpa para sumiços, mas é a mais pura verdade. Contudo, é um trabalho tão divertido e recompensador que tenho a sensação de que poderia continuar na ativa para sempre! Ok. Não exagera. É fato que no pouco tempo livre que me resta quero mais é colocar minhas séries em dia, me divertir com pessoas reais (sem uma tela intermediando a conversa) e fazer vários nadas. Porque fazer vááários nadas é bem bom às vezes. Hoje, porém, senti a necessidade de escrever.

Nem tudo na vida é passível de problematização. Aliás, algumas pessoas têm passado dos limites e transformado alguns assuntos legais em verdadeiras chatices. Contudo, o que eu vou fazer aqui é problematizar algo que vem me incomodando bastante. Então, se vocês acharem que estou me tornando uma chata, sejam sinceros e me digam, ok? Vamos lá!

Youtubers. Gosto, acompanho, acho o máximo. Não vou citar nomes, mas alguns realmente fazem trabalhos incríveis! É claro que um vídeo ou outro pode ser questionável, mas, no geral, tudo é bem bacana. Agora, tem uma galerinha que está passando dos limites. Na corrida por visualizações, vale tudo - e o bom senso manda lembranças.

Foto: Reprodução/Twitter
Esses dias, vi um vídeo (olha só, me pegaram!) de uns caras deitando quase pelados em Santos em uma piscina de plástico cheia de gelo e sal. NÃO! Isso queima. De acordo com uma entrevista que a mestre em dermatologia Luiza Guedes deu para o site Fatos Desconhecidos, "a queimadura causada pela mistura do gelo e sal na pele pode acarretar lesões permanentes e até a perda do movimento de áreas mais sensíveis".

É claro que deu merda! Ficaram todos com queimaduras gravíssimas. A pele eles perderam, mas os likes ganharam - e muitos! Gente, isso não é legal. Não é bacana. Não é engraçado. Não é. Simplesmente, não é. Só isso.

É claro que se a coisa continuar trazendo retorno, essa mania de fazer vídeo se ferrando de um jeito nem um pouco saudável vai continuar (até alguém se dar mal para valer). Existe uma quantidade absurda de conteúdo bom no YouTube, mas existem umas bizarrices que eu me pergunto se não era possível gastar tempo, dinheiro e saúde criando algo que realmente valesse o esforço.

Eu adoro vídeos com desafios de seguidores e adoro mais ainda um besteirol. Mas para tudo tem limite. Eu me preocupo com essas pessoas do fundo do meu coração. Galera, não vamos se automutilar em frente às câmeras, beber shampoo, tomar Mentos com Coca, engolir canela em pó, experimentar Amoeba... Tá rolando uma onda de Jogos Mortais no YouTube, né? Eu estou um pouco assustada e olha que eu nem estou jogando.

Vocês também acham muito louco isso ou estou problematizando demais?

Qual é a sua turma?

Existe meio que uma pressão social para que você encontre a sua turma. Depois, os grupinhos vão receber alguns nomes que os identifiquem. Mais para frente, alguém vai dizer que alguns grupinhos não podem se socializar com outros. E se você achar tudo isso muito estranho e resolver se isolar por um tempo - ou tentar ser amiga de todo mundo - , vão novamente mandar você procurar a sua turma.
Quando eu tinha onze anos, descobri um carinha chamado Harry Potter. Na verdade, descobri um filme que levava o nome desse carinha, que, curiosamente, tinha a mesma idade que eu. Ele recebia a carta de uma escola muito legal, voava em vassouras, tinha aulas de poções e resgatava uma tal de pedra filosofal. Sem contar que ele conversava com cobras e tinha uma coruja de estimação!

Eu não era bruxa, apesar de desejar desde o primeiro instante receber minha cartinha de Hogwarts, mas eu me enxerguei muito no Harry. Ele também era filho único, apesar de ser órfão, tinha um coração enorme, onze anos, muitas ideias na cabeça, muitas dúvidas, algumas inseguranças, muita vontade de ir além e... Não se encaixava em nenhum grupinho. Pelo menos, não até receber a fatídica visita do Hagrid.

É engraçado pensar que a menina que não tinha nenhum grupinho precisou justamente de um menino também sem grupo para encontrar a sua turma. No colégio, nenhuma amiga era tão fã de Harry Potter quanto eu era. E na internet, tirando alguns grupos online de fãs da saga, eu também não tinha grandes amizades virtuais. Mas, apesar de tudo, eu finalmente sabia qual era a minha turma. Eu tinha aquela sensação de pertencimento. Eu havia me encontrado.

No meio do caminho, a gente até tentava fazer parte de outros grupinhos, mas em nenhum a gente se sentia realmente completa. No meu aniversário de 15 anos, ganhei uma festa do pijama surpresa das amigas, com uma linda decoração de Harry Potter - escolhida por mim, é claro. Nesse momento, percebi que você pode ser o seu próprio grupo, mesmo fazendo parte de outros. Você tem que se aceitar do jeito que é, ter orgulho dos seus gostos e não ligar para os rótulos que eventualmente possa receber - eles te agradando ou não -. Só assim você vai encontrar a sua turma e se sentir completa no seu grupinho, mesmo que ele seja composto por apenas uma pessoa: você.
Foi só na faculdade que eu realmente encontrei pessoas que curtiam as mesmas coisas que eu: livros, games, RPG, cosplay... Harry Potter! Depois, eu descobri uma segunda casa em uma tal de COMIC CON EXPERIENCE. Lá, além de eu poder ser quem eu sou e quem eu quero ser (de Khaleesi a Dean Winchester), encontrei outras pessoas que sentiam-se completas em seus grupinhos de uma pessoa só, que foram crescendo, crescendo... Há quem diga que somos nerds ou geeks. Há até quem fale que somos losers, rejeitados. Eu, para ser sincera, acredito que todo rótulo é injusto - e até um pouco burro. Veja só você, por exemplo: neste texto, concluímos que você vai achar a sua turma, mesmo que durante muitos anos ela seja formada por uma única pessoa, e que ainda por cima dá para se socializar com outros grupinhos! Afinal, você já achou a sua turma, e foi tão natural que não tem porque não se socializar e ser feliz com aqueles que também já encontraram suas respectivas galeras - mesmo que elas sejam completamente diferentes da sua.

Não dá para rotular, mas se você se identificou com este texto meio louco... Bom, talvez, só talvez, a gente pertença à mesma turminha, seja ela qual for! Hihi =)

A vida não é um vídeo de recebidos do mês


Pode não parecer, mas eu sou uma pessoa muito insegura. Mesmo. De verdade. Muito, muito, muito. E navegando pelo YouTube dia desses, me deparei com váááários vídeos de recebidos do mês. Aqueles em que as youtubers mostram os últimos produtinhos mais legais que receberam, sabe? Nessa hora, me deu um estalo: "se eu fosse adolescente nos dias de hoje, talvez eu fosse ainda mais insegura, apesar de toda essas conversa de empoderamento. Porque, definitivamente, não teria condições de comprar nem um terço de tudo isso que me vendem"; e foi aí que coloquei meu tripé para jogo, liguei a câmera do celular e falei. Chorei um pouco também, porque falar sobre inseguranças gera insegurança, obviamente. Mas foi bom. Eu queria que durante a minha adolescência tivesse encontrado um vídeo como esse, de alguém falando para mim que vai ficar tudo bem - e que você não precisa dos "recebidos" que todas as suas amigas têm para ser feliz consigo mesma.



Espero que esses quase dez minutos te ajudem e te façam pensar.

 Um beijo <3

O amor é um jogo de azar

Por alguma razão, que eu quebro a cabeça para descobrir qual, as pessoas perdem o interesse em mim. E quando eu digo "pessoas", refiro-me aos possíveis caras que eu, eventualmente, gostaria de investir meu tempo, meu dinheiro e minha disposição.

Disposição... Talvez esse seja um dos investimentos mais arriscados e difíceis, principalmente quando já não temos mais dessa coisa para dar e vender.

É cansativo perder incontáveis vezes seguidas algo que ainda nem era seu. É chato sentir aquela sensação de ter sido colocada para escanteio quando você ainda nem estava na grande área. E daí começa toda aquela história de o ser cérebro te autossabotar, de você se sentir incapaz, desinteressante, menos legal, menos empolgante, menos atraente que qualquer outro alguém.

Nessas horas, eu vejo como a música Love Is a Losing Game, da Amy Winehouse, é um hino para pessoas como nós.

"O amor é um jogo de azar."

"Como eu queria nunca ter jogado."

"O amor é uma aposta perdida, maior do que eu poderia aguentar."

"Apesar de estar bastante cega, o amor é um resignado destino."

"O amor é um jogo de azar."

E eu nem queria estar jogando...

Mas não tem como fugir. Talvez o amor seja um jogo de muitas perdas e poucos ganhos. Perda de interesse, de confiança, de sanidade, de dignidade. Perda de esperança, de solidão, de união. Algumas dessas perdas ainda nem pertenciam realmente a nós, mas isso não significa que elas sejam menos doloridas.

Talvez nós sejamos azarões no amor, apostando nossas fichas no destino e nos esquecendo de que ele está sem rumo. O amor é uma perda de direção. Uma aposta às cegas. Um dado viciado.


Love is a losing game, Amy. Bem que você me alertou...