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Qual é a sua turma?

Existe meio que uma pressão social para que você encontre a sua turma. Depois, os grupinhos vão receber alguns nomes que os identifiquem. Mais para frente, alguém vai dizer que alguns grupinhos não podem se socializar com outros. E se você achar tudo isso muito estranho e resolver se isolar por um tempo - ou tentar ser amiga de todo mundo - , vão novamente mandar você procurar a sua turma.
Quando eu tinha onze anos, descobri um carinha chamado Harry Potter. Na verdade, descobri um filme que levava o nome desse carinha, que, curiosamente, tinha a mesma idade que eu. Ele recebia a carta de uma escola muito legal, voava em vassouras, tinha aulas de poções e resgatava uma tal de pedra filosofal. Sem contar que ele conversava com cobras e tinha uma coruja de estimação!

Eu não era bruxa, apesar de desejar desde o primeiro instante receber minha cartinha de Hogwarts, mas eu me enxerguei muito no Harry. Ele também era filho único, apesar de ser órfão, tinha um coração enorme, onze anos, muitas ideias na cabeça, muitas dúvidas, algumas inseguranças, muita vontade de ir além e... Não se encaixava em nenhum grupinho. Pelo menos, não até receber a fatídica visita do Hagrid.

É engraçado pensar que a menina que não tinha nenhum grupinho precisou justamente de um menino também sem grupo para encontrar a sua turma. No colégio, nenhuma amiga era tão fã de Harry Potter quanto eu era. E na internet, tirando alguns grupos online de fãs da saga, eu também não tinha grandes amizades virtuais. Mas, apesar de tudo, eu finalmente sabia qual era a minha turma. Eu tinha aquela sensação de pertencimento. Eu havia me encontrado.

No meio do caminho, a gente até tentava fazer parte de outros grupinhos, mas em nenhum a gente se sentia realmente completa. No meu aniversário de 15 anos, ganhei uma festa do pijama surpresa das amigas, com uma linda decoração de Harry Potter - escolhida por mim, é claro. Nesse momento, percebi que você pode ser o seu próprio grupo, mesmo fazendo parte de outros. Você tem que se aceitar do jeito que é, ter orgulho dos seus gostos e não ligar para os rótulos que eventualmente possa receber - eles te agradando ou não -. Só assim você vai encontrar a sua turma e se sentir completa no seu grupinho, mesmo que ele seja composto por apenas uma pessoa: você.
Foi só na faculdade que eu realmente encontrei pessoas que curtiam as mesmas coisas que eu: livros, games, RPG, cosplay... Harry Potter! Depois, eu descobri uma segunda casa em uma tal de COMIC CON EXPERIENCE. Lá, além de eu poder ser quem eu sou e quem eu quero ser (de Khaleesi a Dean Winchester), encontrei outras pessoas que sentiam-se completas em seus grupinhos de uma pessoa só, que foram crescendo, crescendo... Há quem diga que somos nerds ou geeks. Há até quem fale que somos losers, rejeitados. Eu, para ser sincera, acredito que todo rótulo é injusto - e até um pouco burro. Veja só você, por exemplo: neste texto, concluímos que você vai achar a sua turma, mesmo que durante muitos anos ela seja formada por uma única pessoa, e que ainda por cima dá para se socializar com outros grupinhos! Afinal, você já achou a sua turma, e foi tão natural que não tem porque não se socializar e ser feliz com aqueles que também já encontraram suas respectivas galeras - mesmo que elas sejam completamente diferentes da sua.

Não dá para rotular, mas se você se identificou com este texto meio louco... Bom, talvez, só talvez, a gente pertença à mesma turminha, seja ela qual for! Hihi =)

A vida não é um vídeo de recebidos do mês


Pode não parecer, mas eu sou uma pessoa muito insegura. Mesmo. De verdade. Muito, muito, muito. E navegando pelo YouTube dia desses, me deparei com váááários vídeos de recebidos do mês. Aqueles em que as youtubers mostram os últimos produtinhos mais legais que receberam, sabe? Nessa hora, me deu um estalo: "se eu fosse adolescente nos dias de hoje, talvez eu fosse ainda mais insegura, apesar de toda essas conversa de empoderamento. Porque, definitivamente, não teria condições de comprar nem um terço de tudo isso que me vendem"; e foi aí que coloquei meu tripé para jogo, liguei a câmera do celular e falei. Chorei um pouco também, porque falar sobre inseguranças gera insegurança, obviamente. Mas foi bom. Eu queria que durante a minha adolescência tivesse encontrado um vídeo como esse, de alguém falando para mim que vai ficar tudo bem - e que você não precisa dos "recebidos" que todas as suas amigas têm para ser feliz consigo mesma.



Espero que esses quase dez minutos te ajudem e te façam pensar.

 Um beijo <3

O amor é um jogo de azar

Por alguma razão, que eu quebro a cabeça para descobrir qual, as pessoas perdem o interesse em mim. E quando eu digo "pessoas", refiro-me aos possíveis caras que eu, eventualmente, gostaria de investir meu tempo, meu dinheiro e minha disposição.

Disposição... Talvez esse seja um dos investimentos mais arriscados e difíceis, principalmente quando já não temos mais dessa coisa para dar e vender.

É cansativo perder incontáveis vezes seguidas algo que ainda nem era seu. É chato sentir aquela sensação de ter sido colocada para escanteio quando você ainda nem estava na grande área. E daí começa toda aquela história de o ser cérebro te autossabotar, de você se sentir incapaz, desinteressante, menos legal, menos empolgante, menos atraente que qualquer outro alguém.

Nessas horas, eu vejo como a música Love Is a Losing Game, da Amy Winehouse, é um hino para pessoas como nós.

"O amor é um jogo de azar."

"Como eu queria nunca ter jogado."

"O amor é uma aposta perdida, maior do que eu poderia aguentar."

"Apesar de estar bastante cega, o amor é um resignado destino."

"O amor é um jogo de azar."

E eu nem queria estar jogando...

Mas não tem como fugir. Talvez o amor seja um jogo de muitas perdas e poucos ganhos. Perda de interesse, de confiança, de sanidade, de dignidade. Perda de esperança, de solidão, de união. Algumas dessas perdas ainda nem pertenciam realmente a nós, mas isso não significa que elas sejam menos doloridas.

Talvez nós sejamos azarões no amor, apostando nossas fichas no destino e nos esquecendo de que ele está sem rumo. O amor é uma perda de direção. Uma aposta às cegas. Um dado viciado.


Love is a losing game, Amy. Bem que você me alertou...

Sempre criamos expectativas (e sempre vamos criar)

Foto: Reprodução/LOVE Netflix
Uma das coisas mais angustiantes da vida é esperar uma mensagem chegar, uma que você queira muito. Hoje, nós esperamos por um sinal no celular, que vem acompanhado por um logo verde. Antes, um recado no MSN, um e-mail, uma carta, um sinal de fumaça. Nós sempre esperamos, e essa espera é sempre angustiante.

Com a tecnologia, esse tempo se tornou ainda mais incômodo. O último horário em que aquela pessoa entrou no WhatsApp, a insegurança de não saber se ela está demonstrando interesse por você e por mais cinco ou seis da lista de contatos. Afinal, "me passa seu wpp?" é o novo "bom dia! Tudo bem?". Isso não é ruim nem errado, mas torna as coisas ainda mais intensas.

Incerteza. É ela a causadora de todo esse aperto no coração. Será que mando mensagem? Mas e se eu estiver sendo babaca? E se eu estiver fazendo papel de trouxa? E se eu estiver incomodando? Será que ele puxou papo com alguém? Estou deixando a conversa esfriar? Se ele mandou a última mensagem, tenho que tomar a iniciativa? E se eu esperar, esperar e esperar por uma mensagem que não vai chegar? Mas se ela não chegar, é porque não era para ser, não é mesmo? Mas e se ela não chegar porque justamente não demonstrei interesse e outro alguém demonstrou? Como saber se está mesmo dando certo? Se é recíproco? Se ele não vai aparecer namorando outra pessoa amanhã? Se não sou um simples passatempo? Uma tentativa entre mil? Ao menos, eu tentei, certo? Ou fui uma completa perdedora?
Foto: Reprodução/LOVE Netflix
Não há garantia, e é por isso que eu não acredito nessa baboseira de não criar expectativas. "Ah! Aconteceu quando eu já não tinha mais forças, quando eu menos esperava". BES-TEI-RA! A gente sempre espera e quem diz o contrário está mentindo - ou está se enganando. A gente espera, porque esperar é da natureza do ser humano, mesmo que não apostemos todas as fichas naquela possibilidade. A gente quer algo em troca mesmo que a gente saiba que não deveria, que as chances de dar certo são mínimas, que é melhor não ficar sonhando acordada e fazendo planos. Mas a partir do momento em que encostamos o topo da cabecinha na água, não tem mais volta: nós vamos mergulhar. É uma certeza. Aquela pode ser uma queda pequena e rápida, mas ela existe. E existe porque nós sempre temos um pinguinho de esperança, mesmo que bem lá no fundo. Mesmo que você tente esconder. Nós sempre acreditamos desacreditando que agora pode dar certo.

É possível esperar tudo e não esperar nada ao mesmo tempo. Há níveis diferentes de expectativa, mas ela sempre existe. Ela sempre está lá. Ela sempre esteve lá. Mesmo você tentando se convencer que não.

o clichê (nada clichê) da melhor mãe do mundo

Quando eu era pequena, minha mãe costumava a me contar algumas histórias de dormir. Hoje, ela meio que desconversa quando toco no assunto, mas tenho certeza que ela me contava. Ou eu tenho uma imaginação muito fértil... A questão é que a minha memória é terrível, mas me lembro muito especificamente de uma dessas histórias, que eram sempre bem macabras. Ela envolvia uma floresta, crianças escondidas em árvores e bruxas. Não consigo lembrar com exatidão da narrativa, mas eu me lembro de adorar. E morrer de medo!
Provavelmente, minha mãe não sabe, mas eu ficava toda orgulhosa quando, mais tarde, ela participava das peças produzidas pelo teatro das mães na escola em que estudava. Eu era bastante chata, inclusive, e ficava falando para todos os meus coleguinhas que a minha mãe era a principal. Porque ela sempre era - mesmo quando fazia a sombra do Peter Pan. Para mim, ela sempre era a protagonista.

Lembro-me também de algumas vezes que minha mãe e eu brigávamos, e que depois ela vinha me pedir desculpas. Em uma dessas vezes, estava saindo do banho. Eu chorei de alívio! Mas nem é tanto do momento em si que lembro, mas do sentimento, da sensação boa que era não estar mais brigada com ela.
Eu amo minha mãe. Ela sabe disso. Falo isso para ela todos os dias. Algumas vezes, confesso, é só para irritar, porque ela diz que eu sou muito pegajosa e preciso arranjar um namorado para agarrar ele e não ela. Outras, é porque eu realmente quero lembrá-la de que a amo muito, mesmo ela gostando de pistacha e alcaparra (sério, não dá para mim).

Uma das coisas que eu mais amo fazer na vida é viajar com a minha mãe. Sou muito apegada a ela. Sinto que ela tem todas as respostas do mundo para os meus dramas e que nunca nada de mau vai me acontecer se ela estiver por perto - mesmo que eu esteja sentindo algo estranho e pergunte mil vezes para ela se eu vou morrer; a resposta é sempre a mesma: "vai, Isabella. Um dia, vai".
Essa foto é muito especial para mim! Minha mãe me segurando no colo e minha avó Margarida (materna), ao fundo. 
Não sei muitas coisas sobre quem era minha mãe antes de ela ser minha mãe. Acho que nunca paramos para conversar sobre isso. Sei de algumas coisas que escuto as amigas e ela conversando quando rola uma reunião. Gosto de pensar que minha mãe era rebelde. (risos) Meu pai sempre diz que ela teve uma fase dark-punk-gótica, em que usava cinto de metal e pintava os olhos de preto. Nem sei se isso é verdade, mas gosto de pensar que minha mãe teve a sua fase Supla de ser. Vai ver que é por isso que ela curte ir aos shows dele comigo...

Minha mãe é pisciana. Dizem que piscianos são sonhadores, frágeis e chorões. Preciso descobrir o ascendente dela, porque, definitivamente, ela não é assim. Só vi minha mãe chorar em um filme: Sempre Ao Seu Lado. E isso me deixou bem assustada, porque ela nunca chora (eu, pelo contrário, choro até em filme do Adam Sandler. E não é de rir!). No fundo, acho que minha mãe deve ser bem pisciana, só não deixa transparecer. E é exatamente por isso que a coisa que eu mais quero na vida é fazê-la feliz. Eu sei que se eu tivesse dinheiro para levá-la a Paris ou até o Robert Pattinson, isso seria mais fácil. (risos) Mas, por enquanto, vamos ter que ir levando, guardando dinheiro e nos divertindo em Paraty mesmo.
Sempre juntas.

Feliz aniversário, mãe!